Como cultivar a paz na sociedade
Como cultivar a paz na sociedade
Em tempos de violência praticar a paz
parece ser um sonho inalcançável. As palavras motivadoras para construirmos um
mundo mais pacífico parecem ser usadas tão somente para minimizar a indignação
que nos habita. Famílias incendiadas dentro dos seus carros, crianças
arrastadas por quilômetros em assaltos, jovens espancados pela polícia, que
deveria protegê-los e não submetê-los à violência, e por aí vai. A lista de
eventos violentos que passeiam pela mídia todos os dias parece não ter fim. E
aí nos perguntamos: como cultivar a paz numa sociedade como essa?
Adquirimos a sensação de que as
pequenas ações não são minimamente suficientes para dar conta da violência que
desfila diante de nossos olhos.
É certo que fazer de nosso país um
lugar de solidariedade, respeito e tolerância demanda uma ação política séria e
inclusiva. Porque quanto mais inclusão houver em nossa sociedade menos
violência teremos. Os estudos sobre o tema não se cansam de demonstrar isso,
embora continuemos a ignorá-los. Diante de situações violentas, o medo que nos
invade é tão grande que só queremos nos livrar daqueles indivíduos que julgamos
- na grande maioria das vezes, pautados pelos nossos preconceitos - serem
potencialmente perigosos. E ao invés de termos resultados satisfatórios na
redução da violência, ela aumenta cada dia mais.
O primeiro passo para cultivar a paz é
entender como ela se constrói e isso
implica em compreender também que fatores podem causar a violência.
Compreender o par
"paz-violência" já é uma forma de nós cidadãos fazermos algo por um
mundo mais pacífico, pois quando entendemos mais sobre o assunto, vemos que ao
contrário do que pensamos, somos diretamente responsáveis pela realidade que
nos rodeia e mudá-la, depende da vontade política, mas depende também de nossas
ações, de nossas posições, de nosso comportamento ético. Gandhi dizia:
"não há caminho para a paz, a paz é o caminho". Ou seja, não adianta
ficarmos sonhando com o dia em que o mundo será mais pacífico, pois para que o
mundo seja um lugar pacífico, temos que cultivar a paz na sociedade em que
vivemos.
Mas será que para praticar a paz basta
não fazermos o mal, basta não matarmos, não roubarmos, não brigarmos? Não, isso
não basta para que vivamos tempos pacíficos. Para ampliar nosso rol de boas e
eternas frases, Martin Luther King nos provoca quando disse: "Não é a
violência de poucos que me assusta, mas o silêncio de muitos". Desta
forma, não basta não fazer o mal, temos que fazer o bem! Ser omissos distancia-nos
da paz. E isso nos concerne, não só aos nossos representantes. Cultivar a paz
tem a ver com uma postura extremamente ativa de não se omitir, de buscar
situações democráticas, de militar contra a violência, seja ela de qualquer
tipo: contra crianças, contra mulheres, contra animais, contra etnias,
culturas, classes sociais. É ser exemplo nas suas atitudes. É realmente
contribuir para um mundo melhor.
Para isso não é necessário ser
político, podemos praticar a paz no nosso dia-a-dia, quando revemos nossos
preconceitos, quando deixamos de nos omitir diante de uma situação de julgamos
errada, quando nos esmeramos para minimizar os mal entendidos, quando não
deixamos as brigas se prolongarem só para não ser o primeiro a dar o braço a
torcer, quando esperamos a raiva passar para falar coisas que não nos
arrependeremos mais tarde, quando buscamos o diálogo ao invés das brigas e da
violência física.
Praticar a paz inclui também buscar
situações democráticas, combater a violência, seja ela contra crianças,
mulheres, animais, etnias, culturas ou classes sociais. É ser exemplo em suas
atitudes.
Não somos santos e certamente continuaremos
a ser humanos, com nossas fraquezas e deslizes. Nem sempre conseguiremos fazer
todas as coisas que falamos até aqui, mas não podemos esquecer que isso é um
ideal que devemos cultivar e adotar como modelo. Desta forma, para praticar a
paz é necessário que a vivenciemos todos os dias em pensamentos e ações, isso é
o que nos faz humanos. A paz não é só um discurso é um percurso (Joyce
K. Pescarolo in www.naoviolencia.org.br )
Quando falamos de amor, fraternidade, caridade, vem à mente que tudo isso se refere a uma
única situação, que é imprescindível ao ser humano: a lei
natural da necessidade do ser humano viver em sociedade. Ele não pode
viver isoladamente no mundo porque, se fosse dessa forma, não precisaríamos
desses conceitos de fraternidade e bom relacionamento e também da caridade. Se o indivíduo tivesse uma convivência
dele e com a natureza somente, sem inter-relações com outros indivíduos, muito
daquilo que estamos conceituando como valores importantes para a vida não
precisariam existir. Se os valores existem é porque o ser humano
necessariamente precisa aprender a viver em
sociedade. É justamente nesse entrelaçamento de vivências que o indivíduo vai
desenvolver sua paciência, tolerância, desenvolver virtudes que ainda não tem,
compreender as Leis Naturais, quais sejam, a tolerância, a paciência, a
compreensão, a Lei de Justiça e caridade. Esses fatores estão na base de toda a
sociedade equilibrada, justa e fraterna.
Este momento de grande transformação,
de estarmos passando de um planeta de expiação e provas para um planeta de
regeneração e que é um fato grandioso que engloba toda a Terra, fazem com que
os valores mal concebidos venham à tona e as
pessoas estão vendo que aquilo a que elas se apegavam não é real. Esse
materialismo exacerbado, esse consumismo extrapolado nos afasta de Deus, de uma
religião, da família. A falta de família hoje em dia é muito grave e gera essa
violência. Mas falta de família não é somente não ter pai e mãe. Não ter família
é você ter pais omissos, filhos que não se confraternizam, irmãos que não se
falam. Isso tudo vai gerando um mal-estar dentro do ser humano, que se
transforma depois numa briga num estádio, em pancadaria com guardas, que também
sofrem violência, e vivem sob pressão no momento de enfrentar uma multidão.
Quando se fala da Não-violência e da
situação de desequilíbrio da sociedade, temos que lembrar o despojamento do
egoísmo. Enquanto o indivíduo valorizar seus próprios interesses, ele estará em
contradição com as Leis Naturais da fraternidade, igualdade e solidariedade.
Enquanto ele não se despojar do “Eu” e não souber valorizar o “Nós”, valorizar
o “Nosso”, ele estará em constante briga para
conquistar seu próprio espaço. Gandhi, apóstolo da Não-violência, com sua
aparente atitude de fraqueza, conseguiu mobilizar uma multidão de pessoas e de
tal forma conseguiu mudar as leis sociais no
relacionamento da Índia com a Inglaterra. Isso se resume que não é necessário
violência para que se modifique algo.
O amor é mais
forte do que toda a violência do mundo. Então, o antídoto contra a
violência é o amor. Mas isso não é tão simples. O amor não se compra. O amor
não se pede emprestado. O amor é uma conquista. O amor a gente adquire ao longo
de nossa vida, das coisas, das situações, dos momentos que a gente vai vivendo.
E são nos pequenos momentos e nas pequenas situações em que somos colocados
frente a frente com essa possibilidade. A vida
inteira é uma grande possibilidade da gente amar.
Operacionalizar a Paz é saber como
você está preparado para gerar a solidariedade no momento da pressão, no
momento em que o atrito existe, em termo de respeito à opinião do outro, em
termo de consideração ao ser humano, que é teu
companheiro e que está pisando na Terra em qualquer situação de ordem social ou
familiar, mas que é espírito como você e está evoluindo. Existem violências
veladas, aquelas que cometemos no ambiente do lar, nas ruas, dentro do ônibus,
no carro e até mesmo dentro de nós, nas intransigências, nas situações de
desequilíbrio, que resultam em doenças causadas pelo problema de não perdoar e
de não compreender. A grande parte das doenças são resultado do desequilíbrio
do ser humano por ele não saber lidar com as
situações da vida ou de lidar consigo próprio. É preciso também que se amplie
esse conceito de violência para que possamos cuidar dela. O caso é que
realmente só em coibir uma pessoa de falar sobre determinado assunto,
interrompê-la, não deixá-la prosseguir por não concordar com o assunto que ele
está dizendo, já é uma violência. E como é difícil a gente ouvir. A gente só
quer falar. Ouvir é muito difícil...
Jesus é Paz e precisamos nos aproximar
dele. Devemos conservar o amor em Jesus em todas as religiões, não nos
esquecendo de que para produzir a paz, temos que cultivar o amor no outro, que
está vivendo connosco aqui na Terra. E utilizar Jesus como um paradigma no
sentido de que nos mostrou os caminhos. Devemos crescer nos seus valores tanto
quanto ele buscou não personalizar o que estava ensinando. É necessário, então,
que se coloque Jesus na condição de um espírito puro, com grande conhecimento,
com grande amor e que veio mostrar os caminhos que devemos seguir para sermos
felizes.
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