ARTE AFRICANA
Introdução
O
presente trabalho de Ed. Visual com o tema “Exemplos de Manifestações
Artísticas Africanas” tem por objectivo ilustrar a vasta riqueza artística
africana, com a qual poderá influenciar na aquisição de conhecimentos importantes.
O
mesmo obedecera a seguinte estrutura: introdução, o conceito da arte africana,
historial da arte africana Arte
Africana na Actualidade; As formas de arte africana; As máscaras africanas;
Arte e religião africana; Relação da arte africana com as principais religiões brasileiras;
Tipos de Danças Africanas mais Comuns; Esculturas e Influência africana.
1. ARTE
DA ÁFRICA
A arte
africana é um conjunto de manifestações artísticas produzidas pelos povos da África subsaariana ao
longo da história.
A arte africana representa os usos e costumes das tribos africanas. O objecto de arte é funcional e expressam muita sensibilidade. Nas pinturas, assim como nas esculturas, a presença da figura humana identifica a preocupação com os valores étnicos, morais e religiosos. A escultura foi uma forma de arte muito
utilizada pelos artistas africanos usando-se o ouro, bronze e marfim como matéria prima. Representando um disfarce para
a incorporação dos espíritos e a possibilidade de adquirir forças mágicas, as máscaras têm um significado místico e importante na arte africana sendo usadas nos rituais e funerais. As máscaras são confeccionadas em barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira. Para estabelecer a purificação e a ligação com a
entidade sagrada, são modeladas em segredo na selva. Visitando os museus da Europa Ocidental
é possível conhecer o maior acervo da arte antiga africana no mundo.
2. Historial
As origens da história da arte africana está situada muito antes da
história registada. A arte africana em rocha no Saara, em Níger, conserva entalhes de 6000 anos. As esculturas mais
antigas conhecidas são dos Nok
cultura da Nigéria, feitas por volta 500 d.C.. Junto com a África Subsariana, as artes culturais das
tribos ocidentais, artefactos do Egipto antigo, e artesanatos indígenas do sul
também contribuíram grandemente para a arte africana. Muitas vezes,
representando a abundância da natureza circundante, a arte foi muitas vezes
interpretações abstractas de animais, vida vegetal, ou desenhos naturais e
formas.
Métodos mais complexos de produção de arte foram desenvolvidos na África
Subsaariana, por volta do século X, alguns dos mais notáveis avanços incluem o trabalho
de bronze do Igbo Ukwu e a terracota e trabalhos em metal de Ife/Ile Ife
fundição em bronze e, muitas vezes ornamentados com marfim e pedras preciosas,
tornou-se altamente prestigiado, em grande parte da África Ocidental, às vezes sendo limitado ao
trabalho dos artesãos e identificado com a Família real/realeza, como aconteceu
com os Bronzes do Benim.
3. Arte Africana na Actualidade
Muitas das chamadas artes tradicionais da África estão sendo ainda
trabalhadas, entalhadas e usadas dentro de contextos tradicionais. Mas, como em
todos os períodos da arte, importantes inovações também
têm sido assimiladas, havendo uma coexistência dos estilos e modos de expressão
já estabelecidos com essas inovações que surgem. Nos últimos anos, com o
desenvolvimento dos transportes e das comunicações dentro do continente, um
grande número de formas de arte tem sido disseminado por entre as diversas
culturas africanas. A arte Africana tem uma coisa interessante. Você pode achar
semelhança entre dois países sem eles se assemelharem.
Além das próprias influências africanas, algumas mudanças têm sua origem em
outras civilizações. Por exemplo, a arquitectura e as formas islâmicas
podem ser vistas hoje em algumas regiões da Nigéria, em Mali,
Burkina Faso e Niger. Alguns desenhos e pinturas do leste indiano têm bastante similaridade em suas formas com as
esculturas e máscaras de artistas dos povos Dibibio e Efik que se estabelecem
ao sul da Nigéria. Temas cristãos também têm sido observados nos
trabalhos de artistas contemporâneos, principalmente em igrejas e catedrais africanas. Vê-se ainda na África, nos últimos
anos, um desenvolvimento de formas e estruturas ocidentais modernas, como
bancos, estabelecimentos comerciais e sedes governamentais.
Os turistas também têm sido responsáveis por uma nova demanda das artes,
particularmente por máscaras decorativas e esculturas africanas feitas de
marfim e ébano. O desenvolvimento das escolas de arte e arquitectura em
cidades africanas, tem incentivado os artistas a trabalhar com novos meios,
tais como cimento, óleo, pedras, alumínio, com uma utilização de diferentes cores
e desenhos. Ashira Olatunde da Nigéria
e Nicholas Mukomberanwa de Zimbábue estão entre os maiores patrocinadores desse novo tipo
de arte na África.
4. As formas de arte africana
A pintura é empregada na decoração das paredes dos palácios reais,
celeiros, das choupas sagradas. Seus
motivos, muito variados, vão desde formas essencialmente geométricas até a
reprodução de cenas de caça e guerra. Serve também para o acabamento das
máscaras e para os adornos corporais. A mais
importante manifestação da arte africana é, porém, a escultura. A madeira é um
dos materiais preferidos. Ao trabalhá-la, o escultor associa outras técnicas
(cestaria, pintura, colagem de tecidos).
5. As máscaras africanas
As "máscaras" são as formas mais conhecidas da plástica africana.
Constituem síntese de elementos simbólicos mais variados se convertendo em expressões da
vontade criadora do africano.
Foram os objectos que mais impressionaram os povos europeus desde as
primeiras exposições em museus do Velho Mundo, através de milhares de peças
saqueadas do património cultural da África, embora sem reconhecimento de seu
significado simbólico.
A máscara transforma o corpo do bailarino que conserva sua individualidade
e, servindo-se dele como se fosse um suporte vivo e animado, encarna a outro
ser; génio, animal mítico que é representando assim momentaneamente. Uma
máscara é um ser que protege quem a carrega. Está destinada a captar a força
vital que escapa de um ser humano ou de um animal, no momento de sua morte. A
energia captada na máscara é controlada e posteriormente redistribuída em
benefício da colectividade. Como exemplo dessas máscaras destacamos as Epa
e as Gueledeé ou Gelede.
6. Arte e religião
As civilizações africanas têm uma visão holística e simbólica da vida. Cada
indivíduo é parte de um todo, ligados, todos em função do cosmos em uma eterna busca pela harmonia e de equilíbrio.
Outro conceito fundamental na filosofia da existência africana é a importância do grupo,
para que a comunidade viva, cada fiel deve participar seguindo o papel que lhe
pertence em nível espiritual e terreno.
7. Relação da arte africana com
as principais religiões brasileiras
A arte africana chegou ao Brasil através dos
escravos, que foram trazidos para cá pelos portugueses durante os períodos
colonial e imperial. Em muitos casos, os elementos artísticos africanos
fundiram-se com os indígenas e portugueses, para gerar novos componentes
artísticos de uma magnífica arte afro-brasileira.
As únicas religiões que têm relação com a arte africana no Brasil, são o Candomblé, e o Culto aos Egungun efectivamente de origem
africana.
O Culto de Ifá em menor número no Brasil é o
maior responsável pela divulgação da Yoruba Art em todo mundo, Estados Unidos,
Cuba,
Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, são os países onde o maior número de peças pode
ser encontrado, em museus e colecções particulares.
Na dança africana, cada parte do corpo movimenta-se com um ritmo diferente.
Os pés seguem a base musical, acompanhados pelos braços que equilibram o
balanço dos pés. O corpo pode ser comparado a uma orquestra que, tocando vários
instrumentos, harmoniza-os numa única sinfonia. Outra característica
fundamental é o policentrismo que indica a existência no corpo e na música de
vários centros energéticos, assim como acontece no cosmo. A dança africana é um
texto formado por várias camadas de sentidos. Esta dimensionalidade é entendida
como a possibilidade de exprimir através e para todos os sentidos. No momento
que a sacerdotisa dança para Oxum, ela está criando a água doce não só através
do movimento, mas através de todo o aparelho sensorial. A memória é o aspecto
ontológico da estética africana. É a memória da tradição, da ancestralidade e
do antigo equilíbrio da natureza, da época na qual não existiam diferenças, nem
separação entre o mundo dos seres humanos e os dos deuses.
A repetição do padrão-musical manifesta a energia que os fiéis estão
invocando. A repetição dos movimentos produz o efeito de transe que leva ao
encontro com a divindade, muito usado em rituais. O mesmo ato ou gesto é
praticado num número infinito de vezes, para dar à acção um carácter de
atemporalidade, de continuação e de criação continua. Nas danças africanas o contacto
contínuo dos pés nus com a terra é fundamental para absorver as energias que
deste lugar se propagam e para enfatizar a vida que tem que ser vivida agora e
neste lugar, ao contrário das danças ocidentais performadas sobre as pontas a
testemunhar a vontade de deixar este mundo para alcançar um outro. Existem
várias danças. Entre elas destacam-se: lundu,
batuque, Ijexá, capoeira, Coco (dança) congadas e jongo.
8. Tipos de Danças Africanas mais
Comuns
Kizomba: ritmo quente, originário de Angola, não pára de conquistar cada vez mais
praticantes. É uma das danças sempre tocadas nas discotecas, não só africanas.
Quente, suave, apaixonante… Vários estilos, técnicas, influências. Toda
variedade e diversidade de Kizomba.
Samba: é uma dança de salão angolana urbana. Dançada a pares, com passadas
distintas dos cavalheiros, seguidas pelas damas em passos totalmente largos
onde o malabarismo dos cavalheiros conta muito a nível de improvisação. O Semba
caracteriza-se como uma dança de passadas. Não é ritual nem guerreira, mas sim
dança de divertimento principalmente em festas, dançada ao som do Semba.
Danças Caboverdianas: toda a variedade de ritmos originários de Cabo Verde: Funána, Mazurka,
Morna, Coladera, Batuque.
Danças Tribais: uma forte característica trazida para o Estilo Tribal das danças tribais é
a coletividade. Não há performances solos no Estilo Tribal. As bailarinas, como
numa tribo, celebram a vida e a dança em grupo. Dentre as várias disposições cénicas
do Estilo Tribal estão a roda e a meia-lua. No grande círculo, as bailarinas
têm a oportunidade de se comunicarem visualmente, de dançarem umas para as
outras, de manterem o vínculo que as une como trupe. Da meia-lua, surgem
duetos, trios, quartetos, pequenos grupos que se destacam para levar até o
público esta interactividade.
9. Esculturas
9.1. Esculturas em madeira
A escultura em madeira é a fabricação de múltiplas figuras que servem de
atributo às divindades, podendo ser cabeças de animais, figuras alusivas a acontecimentos, fatos
circunstanciais pessoais que o homem coloca frente às forças. Existem também objectos
que denotam poder, como insígnias, espadas e lanças com ricas esculturas em madeira recoberta por
lâminas de ouro sempre denotando um motivo alusivo à figura dos dignitários. Os
utensílios de uso quotidiano, portas e portais para suas casas, cadeiras e utensílios diversos sempre repetindo os mesmo
desenhos estilísticos.
9.2. Esculturas em outros
materiais
Além das esculturas em madeira existem os objectos confeccionados com
fragmentos de vidro das mais variadas cores, colocados em gorros, possuindo
uma gama de figuras humanas e de animais, feitas com fio de algodão que passam por todo o tecido, colocados sempre em
combinação vertical. As pedras podem ser alternadas por Cowrys, canudilhos metálicos ou de seda e
algodão.
Os tecidos são lisos ou estampados, os bordados são rebordados com linhas e com pedras de vidro.
Confeccionam roupas longas e gorros. A inventividade do bordado com pedras de
vidro está muito espalhada nas populações da República da Nigéria. Os suportes
para abanos, crinas e rabos de animais, também decoram com pedras de vidro,
canudilhos e cauris.
Os tecidos e o vestuário chegaram a um desenvolvimento plástico considerável
em zona de cultura urbana, assimilando muitos elementos da indumentária islâmica e
outros introduzidos pelos europeus colonialistas. O tear
horizontal, permitiu a confecção variada de tiras que posteriormente se juntam
longitudinalmente para formar tecidos maiores. Deste tipo de confecção o mais
característico é o chamado Kente, entre os Ashanti. Ainda entre estes tecidos está o estampado
chamado Denkira, com figuras diferentes que se combinam para estruturar um
desenho ou determinar um motivo fundamental. Os desenhos são imersos em uma
tintura vegetal e impressos em tecido branco estendido em uma
almofada.
O Alaká africano,
conhecido como pano da costa no Brasil é produzido por tecelãs do terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá em Salvador, no espaço chamado de Casa do Alaká.
9.3. Materiais usados na
escultura
9.3.1. Ferro
O ferro é utilizado à partir de uma prancha fundida mediante
pressão e calor. São confeccionados muitos atributos em várias formas pelos Abomei, de quem é a imagem da entidade Gu, dono do ferro representado por uma
figura antropomorfa. Com a mesma técnica são encontrados vários atributos a
variadas entidades e também vários instrumentos musicais.
Nestas, os detalhes da figura humana estão um pouco resumidos, destacando
algumas marcas regionais, e nisto, assim como nas proporções gerais, diferem
das de Ifé, nas que se percebe a
procura dos modelos anatómicos, como se fossem retratos, dentro de um tamanho menor. As cabeças de bronze
apresentam variedades de caracteres faciais, presos em detalhes sutis que
permitem apreciar diferentes expressões nos rostos e até incluem algumas
deformações anatómicas.
10. Influência africana
No dia 28 de Outubro de 1846,
o Presidente da República Joaquin Suárez, aboliu a escravidão no Uruguai num processo que começou em 1825.
Com a abolição da escravidão, os rituais de
dança africanos foram descritos em alguns documentos em Montevideo e no campo, que ficaram conhecidos como Tangós.
O tango se desenvolveu simultaneamente em Montevideo e em Buenos Aires. Tradicionalmente considera-se uma
criação de imigrantes italianos e espanhóis, os conhecedores opinam que a dança e a música
africana influenciaram profundamente a música e os movimentos da dança que se
associam com o tango.
Conclusão
Chegado ao fim do trabalho que tem com tema: Exemplos de Manifestações Artísticas Africanas, conclui que, o continente
africano acolhe uma grande variedade de culturas, caracterizadas
cada uma delas por um idioma próprio, tradições e formas artísticas
características. O deserto do Saara actuou e continua actuando como uma
barreira natural entre o norte da África
e o resto do continente.
De salientar que actualmente podemos
identificar, na região sul do Saara, características da arte islâmica, assim
como formas arquitectónicas de influência norte-africana.
A arte africana é um reflexo fiel
das ricas histórias, mitos,
crenças e filosofia
dos habitantes deste enorme continente. A riqueza desta arte tem fornecido
matéria-prima e inspiração para vários movimentos artísticos contemporâneos da
América e da Europa.
Bibliografia
FEIST,
Hidegard. Arte Africana, Editora
Moderna; Pp. 298-305.
SILVA, Dilma de Melo. Arte africana e afro-brasileira; 4ª ed.
Editora Terceira Margem. Pp. 504-517.
Internet
http://pt.wikipedia.org/w/index.arte-africana/arte-da-idade-média; página
Modificada pela última vez à(s) 20h: 37min de 7 de fevereiro de 2012.
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