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ORIGEM DO CONHECIMENTO



1. Introdução
O presente trabalho se desenvolve a partir do seguinte questionamento: qual a origem do conhecimento? Surgiu do racionalismo ou do empirismo?
A reflexão acerca dessas duas correntes, tem o intuito de dar uma visão panorâmica do pensamento da época de forma comparada e nunca isoladamente. Portanto, analisa-se e desenvolve-se linhas de pensamentos, tendo em vista o problema da fundamentação do conhecimento, a sua origem – empirismo ou racionalismo, o resgate de sua importância existencial, apresentando assim uma visão comparativa crítica do título em referência, culminando numa abordagem subsequente que converge as duas linhas de pensamento originárias.

















2. A Origem do Conhecimento
O homem sentiu, desde sempre, necessidade de explicar o mundo que o rodeia. Por isso, o problema do conhecimento foi colocado logo desde o início da filosofia grega.
Embora o conhecimento seja, não um estado mas sim  um processo e, como tal,    necessariamente relacionado com a actividade prática do homem (conhecer não é só possuir uma representação mental do mundo, é também actuar no mundo a partir da representação que dele temos), tradicionalmente, o conhecimento foi descrito como uma relação entre um  sujeito, enquanto agente conhecedor, e um objecto, enquanto coisa conhecida. Dois grandes o defende que não é o objecto em si que conhecemos mas o objecto tal como se nos representa. Em limite, não podemos saber sequer se há coisas reais, transcendentes ou exteriores ao espírito ou, se pelo contrário, tudo quanto existe está no espírito.
Descartes recusa a concepção realista do objecto defendendo um idealismo crítico.   
O conhecimento pode ser descoberto pelo pensar, adquirido quando ouvimos outros pontos de vista, inventado quando imaginamos e vivenciado quando experimentamos. A verdade pode ser uma só, mas o conhecimento é infinito. O conhecimento é o efeito da verdade. A verdade é a resposta e o conhecimento é a pergunta.
A verdade une, quer o absoluto mas o conhecimento separa e fragmenta.
A finalidade do conhecimento é despertar cada vez mais curiosidade e assim mais perguntas, mais conclusões e mais pensamentos. Por isso o conhecimento nunca se acaba, ele se prolonga em si mesmo. O homem briga pelo conhecimento por isso há tantas diversidades de opiniões e até personalidades.
O conhecimento não deixa de ser produto do próprio ego até quando explica sobre o próprio ego. Dizem que o homem caiu pelo conhecimento, mas ele mesmo não sabe qual é esse conhecimento. O homem já nasceu perdido no conhecimento antes ele já não sabia de nada desde criança, depois cresce e continua perguntando sobre sua vida, os mistérios  e nunca chega ao conhecimento para saciar o conhecimento da sede de sua alma profundamente. O homem por mais que conheça ao mesmo tempo não conhece.
Os que tentaram ir ao mais fundo penetrar na fonte ainda morreram com alguma pergunta, ou outros se adaptaram a própria resposta dentro do conhecimento de si mesmo.
Acredito que o ser humano já perdeu o controle sobre o conhecimento, pois este o está controlando cada vez mais. E o conhecimento por sua vez sempre foi infinito.

2.1. Origem do Conhecimento sob Empirismo e Racionalismo; Intelectualismo e Construtivismo  
2.1.1. O Problema da Origem do Conhecimento
De onde nos vêm as representações que nos servimos para compreender a realidade? De onde procede, fundamentalmente, o conhecimento? Para que o conhecimento se possa considerar um autêntico conhecimento, é preciso que seja universal e necessário e, ao mesmo tempo, se aplique à realidade, que é singular e contingente. De onde deriva o conhecimento, de modo a satisfazer estas duas condições? Se procede apenas da experiência satisfará a segunda, mas não a primeira - se é obtido só pela razão, terá carácter universal e necessário, mas não valerá da realidade.
Foi esta dificuldade que dividiu todos os filósofos em duas correntes opostas Empirismo e Racionalismo, que o Empírico - Racionalismo procura conciliar. O Empirismo diz-nos que o conhecimento provém fundamentalmente da experiência sensível e a esta se reduz, não podendo elevar-se acima dos dados experimentais - por isso se diz que o conhecimento é "a posteriori". O Racionalismo, pelo contrário, valoriza, sobretudo a razão, que organiza, unifica e dá sentido aos dados recebidos espontaneamente da consciência. O Racionalismo, não encontrando na experiência, singular e concreta, explicação para o carácter geral e abstracto do conhecimento, afirma que a razão recebe certas ideias gerais que lhe servem para conhecer a realidade, ou cria certos dados chamados apriorísticos, com os quais organiza e interpreta a experiência - por isso se diz que o conhecimento é “a priori”. Finalmente, a corrente Empírico-racionalista afirma que o conhecimento procede da experiência, mas não se reduz à experiência, para estes o conhecimento resulta dum processo de transformação de uma matéria-prima dada pelos sentidos e elaborada pela capacidade organizacional do sujeito.

2.2. O Racionalismo
Descartes, Leibniz e Spinoza são alguns dos representantes do racionalismo. Esta doutrina filosófica afirma que o conhecimento humano tem a sua origem na razão, que possui, ou representações inatas, ou capacidade de criar representações (Ideias gerais) dos objectos, às quais a realidade se submete. Deste modo, é sobre as ideias inatas que (segundo Descartes são as únicas que obedecem ao critério da clareza e da distinção) se constitui um conhecimento que pode ser considerado verdadeiro porque logicamente necessário e universalmente válido.
Os juízos determinados pela experiência não apresentam essas características, por isso, concluem os racionalistas, o verdadeiro conhecimento não pode fundamentar-se na experiência, mas sim na razão.
A matemática, um conhecimento predominantemente conceptual e dedutivo, é o modelo de conhecimento que serviu de base à interpretação racionalista, pois todos os conhecimentos matemáticos derivam de alguns conceitos gerais tomados como ponto de partida dos quais se concluem todos os outros, de acordo com as leis do pensar correcto, que foram definidas, como sabemos, pela ciência da lógica.

2.3. O Empirismo
Na filosofia, Empirismo é um movimento que acredita nas experiências como únicas (ou principais) formadoras das ideias, discordando, portanto, da noção de ideias inatas.
O empirismo é a sabedoria adquirida por percepções; pela origem das ideias por onde se percebe as coisas, independente de seus objectivos e significados; pela relação de causa-efeito por onde fixamos na mente o que é percebido atribuindo à percepção causas e efeitos; pela autonomia do sujeito que afirma a variação da consciência de acordo com cada momento; pela concepção da razão que não vê diferença entre o espírito e extensão, como propõe o racionalismo e ainda pela matemática como linguagem que afirma a inexistência de hipóteses.
Na ciência, o empirismo é normalmente utilizado quando falamos no método científico tradicional (que é originário do empirismo filosófico), o qual defende que as teorias científicas devem ser baseadas na observação do mundo, em vez da intuição ou da fé, como lhe foi passado.
O termo tem uma etimologia dupla. A palavra latina experientia, de onde deriva a palavra "experiência", é originária da expressão grega εμπειρισμός. Por outro lado, deriva-se também de um uso mais específico da palavra empírico, relativo aos médicos cuja habilidade derive da experiência prática e não da instrução da teoria.
A doutrina do empirismo foi definida explicitamente pela primeira vez pelo filósofo inglês John Locke no século XVII. Locke argumentou que a mente seria, originalmente, um "quadro em branco" (tabula rasa), sobre o qual é gravado o conhecimento, cuja base é a sensação. Ou seja, todas as pessoas, ao nascer, o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressão nenhuma, sem conhecimento algum. Todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro.
Historicamente, o empirismo se opõe a escola conhecida como racionalismo, segundo a qual o homem nasceria com certas ideias inatas, as quais iriam “aflorando” à consciência e constituiriam as verdades acerca do Universo. A partir dessas ideias, o homem poderia entender os fenómenos particulares apresentados pelos sentidos. O conhecimento da verdade, portanto, independeria dos sentidos físicos.
Alguns filósofos normalmente associados com o empirismo são: Aristóteles, Tomás de Aquino, Francis Bacon, Thomas Hobbes, John Locke, George Berkeley, David Hume e John Stuart Mill. Embora no geral seja relacionado com a teoria do conhecimento, o empirismo, ao longo da história da filosofia, teve implicações na lógica, filosofia da linguagem, filosofia política, teologia, ética, dentre outros ramos.

2.4. O Empírico-Racionalismo ou Intelectualismo
O Intelectualismo é a doutrina que afirma que o conhecimento procede de experiência mas não se reduz a ela, porque a razão abstrai dos dados experimentais o carácter universal e necessário do conhecimento, através da elaboração de ideias. Assim, o conhecimento pode ser, ao mesmo tempo, universal e necessário e valer-se da realidade concreta.

2.4.1. Representantes
2.4.1.1. Aristóteles
Desenvolveu a ideia de intelectualismo, pela primeira vez na Antiguidade, na tentativa de sintetizar o racionalismo e empirismo, porque ser um discípulo de Platão "Puro racionalista", Aristóteles está sob a influência de "racionalismo", mas sendo enquanto um naturalista é inclinado para o "empirismo". Aristóteles colocou o mundo platónico das ideias na realidade empírica, as ideias não estão mais algumas ideias de livre flutuação não está mais acima, mas em coisas concretas. "Ideias são formas essenciais das coisas", as ideias são o núcleo da coisa principal, racional-empírico em torno propriedades como um invólucro.

2.4.1.2. São Tomás de Aquino
Desenvolveu a ideia de intelectualismo na Idade Média, sobre a influência de abordagens filosóficas de Aristóteles, a partir da qual discute os seguintes noções: de coisas concretas tem imagens sensíveis, “as espécies sensíveis”; as imagens intellectus agens extraído dessas gerais essenciais “Intelligibiles a espécie”; O intellectus possibilis se recebe estes e julgar sobre as coisas, formando conceitos.
Dos conceitos essenciais formados no início por meio de outras operações de pensamento surgem conceitos supremos e mais gerais.
O maior representante desta corrente é Kant, um filósofo alemão do séc. XVIII, que abordou a questão da origem do conhecimento procurando conciliar as duas doutrinas acima referidas - de facto, para Kant, todo o conhecimento começa na e pela experiência, mas não se limita a ela. Os elementos múltiplos, diversos e contingentes fornecidos pela experiência são integrados em conceitos que o próprio entendimento possui a priori. Deste modo, a experiência fornece a matéria, o conteúdo do conhecimento, enquanto que o entendimento lhe dá uma certa forma; o que significa que o conhecimento é sempre o resultado da junção de uma forma com uma matéria.

2.5. O Construtivismo
Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas acções mútuas entre o indivíduo e o meio. A ideia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada.

2.5.1. O Construtivismo de Piaget
Tal como Kant, também Piaget considera que o conhecimento resulta dum processo de transformação de uma matéria-prima dada pelos sentidos e elaborada pela capacidade organizacional do sujeito; pelo que a sua teoria se enquadra na corrente empírico-racionalista de que temos vindo a ocupar-nos.
Como já vimos, Piaget no nosso século, retoma a ideia do conhecimento como uma construção por parte do sujeito a partir dos dados fornecidos pela experiência, procurando a sua justificação psicológica. Ao estudar como se formam as estruturas e as categorias que permitem o funcionamento da inteligência, Jean Piaget dá ao apriorismo de Kant uma versão biologista. Segundo a teoria operatória, o organismo tem que possuir determinadas características que tornem possível a troca de informação com o meio e a construção de conhecimento que, deste modo, não é dado nem é cópia do real. O conhecimento é, assim, fruto de uma interacção entre o sujeito e o meio implicando, por um lado a experiência sensível e, por outro, as estruturas cognitivas de que todo o sujeito é dotado e que lhe permitem construir o seu conhecimento com base nessa mesma experiência.













3. Conclusão

Terminadas as pesquisas sobre o conhecimento sob empirismo e racionalismo o grupo conclui que: nem o racionalismo, nem o empirismo são respostas totais aos problemas que se pretendem resolver. O racionalismo opõe-se ao empirismo, e a doutrina empírico-racionalista representa uma tentativa de estabelecer a mediação entre estas duas, afirmando que o conhecimento se deve à comparticipação da experiência e da razão.
O grupo afirma ainda que de facto, os empiristas, para justificarem a sua posição, vão buscar os argumentos às ciências experimentais, à evolução do pensamento e do conhecimento humanos. Ou seja, se as ideias fossem inatas, como pretendem os racionalistas, como justificar a sua ausência nas crianças? Por outro lado, nas ciências experimentais o conhecimento resulta da observação dos factos, na qual a experiência desempenha um papel fundamental. Deste modo, os empiristas são levados a privilegiar a experiência em detrimento da razão.














Bibliografia

Obras:
KANT, Immanuel, Critica da Razão Pura, 5ª edição, Fundação Colouste Gulbenkian, S/D. pp. 62-64.
CHAMBISSE, Ernesto e tal, A Emergência do Filosofar – fil 11/12, 1ª edição, Maputo, Textos Editores; 2010.p. 76.

Internet
http://www.wikipedia.org/origem-do-conhecimento.pagina acessada no dia 06/06/2012, Esta modificada pela última vez à(s) 19h 32min de 30 de Maio de 2012.


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