RESISTENCIA E REVOLTA EM AFRICA
Resistência Africana
Em 1880 e 1900, a
Africa tropical apresentava uma situação paradoxal, de que o processo de
conquista e ocupação era ao mesmo tempo irreversível e altamente resistível.
Irreversível por causa da revolução industrial, que permitiu aos europeus vantagem
decisiva em arma e facilidades nas comunicações no interior de África e entre
África e Europa graças a ferrovias, a telegrafia e ao navio a vapor. Resistível
por causa da força dos africanos e por causa dos europeus não terem aplicado na
batalha recursos humanos e tecnológicos abundantes.
A implementação da
estratégia de penetração foi muito desordenada e inábil pelo que os europeus enfrentavam
inúmeros movimentos de resistência que eles próprios provocaram ou inventaram
por ignorância ou medo.
A Colonização em Moçambique e as Resistências
A Revolta de Bárué
A resistência a
ocupação colonial portuguesa em 1904, no território moçambicano foi feita com o
surgimento das alianças em 1917 centrada em Barue com objectivo de libertar a
sua terra natal, expulsando os portugueses e aqueles que ajudavam a perpetuar o
sistema colonial na zona.
Causas da Revolta de Bárué
- Recrutamento compulsivo da mão-de-obra e sem
remuneração na construção de uma estrada, ligando Tete à Macequece, passando
pela terra dos Bárue ;
- Abusos de sipaios aos trabalhadores recrutados em 1914.
Preparação da Rebelião
Nas vésperas da
rebelião em virtude das guerras de 1902, esta importante comunidade do Zambeze
estava dividida em duas chefaturas : Nongue – Nongue com a capital em Mungari e
Matrosa, primo de Nongue, que governava os territórios do sul do interior de
Gorongosa.
O aparecimento na
cena politica zambeziana de uma jovem de nome Mbuya, Nongue - Nongue para levar
a cabo os seus intentos iniciou um intenso trabalho diplomático, visando a
formação de uma ampla coligação anti-colonial zambeziana.
Início da Rebelião
A revolta de Bárue iniciou a 27 de Março de 1917, quando Chemba, Tambara e
Chiramba foram atacados e paralelamente os camponeses de Sena e Tonga se
soblevaram.
Em Abril os portugueses foram expulsos de Massangane, Cheringoma, Gorongosa
e Inhaminga. Instalaram-se na companhia de Moçambique. Os Barue cercaram Tete,
Zumbo estimulando outros povos ainda oprimidos (sobretudo os do sul).
Fronteira Centro
De Moçambique
Na região de
Manica a situação de delimitação de fronteiras foi difícil pelo facto de
existir muito interesse de Inglaterra e Portugal devido a fertilidade de
terras.
Entre 1890 – 1891,
a zona que teve mais conflito foi entre Limpopo até Tete.
Portugal mandou
uma expedição comandada por um português chamado Serpa Pinto.
Os ingleses fazem
um ultimato a Portugal com o seguinte teor: - o governo português devia tirar
as suas tropas da região central ou devia recuar. Senão iria gerar um conflito,
o que abalaria em grande medida a Portugal.
Deste modo começam
conversações para estabelecer as regiões de Manica e Niassa.
Cecil Rhodes com a
sua companhia, British Company, complicava a negociação e em 1890 houve um
acordo onde Portugal cedeu a livre circulação dentro do território (região
central) sem taxas alfandegárias, sem que sejam mal recebidas pela burguesia
portuguesa instalando-se uma nova crise entre Portugal e Inglaterra por
Portugal não ter ratificado os acordos.
Portugal propôs um
modo vivendi assinada a 14 de Dezembro de 1890.
Mais tarde, em
1891 fez-se um novo acordo, Portugalm envia António Enes para Moçambique com a
missão de colocar a autoridade portuguesa em todo o território moçambicano.
A Ocupação Militar
Portuguesa e a Resistência ao Colonialismo
A penetração
portuguesa nas zonas do interior fez-se de várias formas. Os portugueses
começaram por fazer amizades com os Mwenemutapas, o que lhes permitiu
fixarem-se nessas zonas e aí organizarem-se em feiras.
Em cada feira
havia um chefe militar português que se designava por capitão. Este tinha de
ser aceite pelo Mwenemutapa. As vezes as amizades eram resultantes do apoio que
os portugueses davam a alguns Mwnemutapas nas lutas contra os Mambos
revoltosos.
Estes autorizavam
os portugueses a circular e a fazer comércio no seu império.
A Resistência No
Sul De Moçambique
No início do
século XIX, Lourenço Marques era uma pequena povoação onde viviam alguns
comerciantes portugueses e as suas famílias e um governador representando o rei
de Portugal. Este obrigava a população a pagar imposto que se chamava de
“imposto de palhotas”.
Com a expulsão dos
soldados portugueses levou o governo de Lourenço Marques a procurar aliança
junto dos chefes das povoações vizinhas que aceitaram pagar imposto.
Em 7 de Novembro
de 1894, deu-se a batalha de Coalela. Os portugueses organizavam-se para o
ataque em forma do quadrado, esta chamava-se de táctica de quadrado. Em 28 de
Dezembro de 1895, os portugueses atacaram a capital do império de Gaza
(Manjacaze), nesta batalha os portugueses utilizaram metralhadoras, cavalos e
chefiados por Mouzinho de Albuquerque. O Ngungunhane, imperador de Gaza, e Matibjane,
chefe de Zixaxa, foram presos e deportados para a Ilha de Açores (Portugal)
onde vieram a falecer.
Continuando os
portugueses no território, a luta de resistência contra os colonialistas também
continuou com o novo chefe Maguiguane. Este resistiu heroicamente aos
portugueses, organizou revoltas populares atacando com sucesso os postos
militares dos portugueses.
Em 8 de Agosto de
1897, deu-se a batalha de Macontene. Nesta batalha os portugueses utilizaram
metralhadoras, cavalos, sipáios. Os nossos guerreiros utilizavam lanças, setas,
e espingardas de carregar pela boca.
A Resistência No
Norte De Moçambique
Também no norte de
Moçambique houve forte resistência do povo à ocupação colonial portuguesa.
Dese 1895 até 1940
foram travadas violentas e sucessivas batalhas. Os principais chefes que se
destinguiram foram Mocutu-Munu e Ibrahim (Monapo e Ilha de Moçambique).
Os Namarrois, povo
desta região utilizavam uma táctica diferente dos guerreiros de Gaza, eles
utilizavam a emboscada que consistia na maior movimentação dos guerreiros em
puequenos e grandes grupos. Aproveitavam as montanhas, árvores e capim alto
para se esconder e atacavam de surpresa os colonialistas portugueses.
A emboscada
atrapalhava muito os soldados portugueses, por isso sofreram constantes
derrotas.
As guerras dos
Namarróis começou em Outubro de 1896 e depois de defendidos os combates por
onde participaram travadores do norte e sul com apoio de Mouzinho de
Albuquerque.
Outros chefes
destacados são: Farlahi, de Angoxe, Mataca, de Niassa, e Mussa-Quanto, de
Nampula.
Farlahi e outros
chefes de Monapo e da Ilha de Moçambique alcançaram sucessivas victóris em
batalhas sangrentas. A principal batalha foi no quartel de Parapato em 1905 e
distribuição de vários quartéis portugueses até Mongicual.
Farlahi foi preso
em 1910 e foi deportado para a Guiné onde veio a morrer em 1918. também em Cabo
Delgado, os guerreiros do Planalto de Moeda resistiram heroicamente até 1920.
A Resistência No Centro De Moçambique
Na região centro,
antigos prazeiros e chefes de Báruè resistiram de modo tenaz durante muitos
anos chefiados por Cambuemba.
Cambuemba foi
derrotado em 1902 quando os portugueses utilizaram um grande número de
soldados, metralhadoras e canhões. Em 1917 os colonialistas portugueses
obrigaram a população a participar na construção de estradas e a alistarem-se
no exército português. A este descontentamento chamou-se a Rebelião de Báruè.
A população de
Báruè, Tete, Manica e Sofala revoltaram-se contra estas decisões durante cinco
anos, os portugueses não conseguiram derrotar o povo de Báruè.
NB: A superioridade das armas dos portugueses e a falta de
união entre os Moçambicanos e a traição de alguns chefes fraqueceu a heróica
resistência do nosso povo.
A ocupação
efectiva de Moçambique prolongou-se até 1920.
Não obstante as
lutas de resistência contra o colonialismo português continuaram sob diversas
formas até a independência.
Fracassada a
resistência por falta de unidade e armamento tecnologicamente avançado o
governo colonial montou um aparelho de Estado para oprimir e reprimir a
população.
Dividiram o país
em distritos e estes em circunscrição e conselhos. As circunscrições foram
divididas em postos.
Os distritos
tinham governadores que controlavam os administradores e as suas ordens.
Os administradores
eram ajudados pelos régulos na cobrança de impostos, tributos, recrutamento de
trabalhadores para as plantações e para as minas, recrutamentos de homens para
o exército.
- Detenção de pessoas para o xibalo.
O sipáio era para
reprimir a população, ajudando os administradores e os régulos. Os régulos
cobravam uma taxa aos mineiros e recebiam uma quantia por cada problema que
resolviam.
Para o
funcionamento da economia colonial estava baseada nas plantações cujas culturas
estavam viradas para o mercado externo, algodão, cana-de-açúcar, coqueiro,
borracha e outros.
Para plantar,
sachar, cortar, extrair, transportar para as fábricas e processamento
industrial, carregamento de navios era utilizada a força braçal, pois não havia
máquinas. O colono fazia recenseamento distribuindo cadernetas para controlar o
pagamento de impostos e trabalho forçado.
A mão-de-obra era
importada para África do Sul e Rodésia do Sul.
A mão-de-obra
barata era também utilizada na carpintaria, serralharia, metalurgia,
construções públicas, oficinas de reparação de barcos e tinham como dirigentes
os estrangeiros.
Acção do Estado Colonial e a transformação das plantações, surgimento das
Companhias
O estado colonial
estava virado a exploração das plantações e através das culturas obrigatórias.
Nas plantações
haviam muitas tarefas diferentes: depois da colheita, os produtos tinham que
ser transportados para pequenas fábricas onde eram transformados e embalados, e
eram transportados para a Europa. O trabalho nas plantações era muito duro, os
trabalhadores eram mal alimentados, salários pagos mal chegavam para pagar o
imposto de palhota. A exploração do nosso continente assentou-se mais sobre os
camponeses.
Muitas potências
aproveitavam-se da mão-de-obra barrata dos camponeses para a produção das
matérias-primas de que necessitavam para as suas indústrias. A introdução de
culturas obrigatórias como o algodão, o sisal e outras necessárias ao
funcionamento das indústrias europeias em detrimento das actividades de
subsistência dos camponeses, foram algumas das formas adoptadas. Os camponeses
eram recrutados para trabalhar na construção de estradas, linhas férreas e
outras infraestruturas de apoio ao sistema colonial.
Os camponeses
revoltaram-se da seguinte maneira: sabotagem das companhias agrícolas através
da fervura das sementes antes de lançá-las à terra, abandono das terras, iam
fixar-se longe do controlo das autoridades coloniais.
Revolta no Sudoeste Africano (Namibia, 1904/07)
O sudoeste
africano (Namibia), estava sob ocupação colonial alemã desde 1880. Alguns
grupos étnicos resistiram ao domínio colonial: Os Koisam, Os Nama, Os San, Os Hereros e Os Ovambos. Os Hereros e os Namas, chefiados, respectivamente, por
Samuel Maherero e Hendrik Witbooi, impuseram forte resistência aos colonos e
tropas alemãs que ocupavam a Namíbia. Samuel Maherero procurou garantir os
direitos dos Hereros e limitar a intrusão colonial estabelecendo “tratados de
proteção” com os colonos britânicos do cabo e com própria Alemanha.
Um dos resultados
desses tratados surgiu em 1883 quando um comerciante alemão, Franz Lusderitz,
recebeu do seu governo a permissão para fazer acordo com os chefes africanos da
área e comprar os seus territórios. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Angra
Pequena (baia Luderitz).
No entanto, as
epidemias que assolaram esta zona de africa contribuíram para enfraquecer as
populações que, deste, pouco resistiram a sucessiva ocupação de terras por
parte de colonos europeus. Em 1904, liderados por Samuel Maherero, os Hereros sofrendo
os efeitos negativos da dominação colonial, aproveitaram a retirada das tropas
alemãs, que aviam partido em janeiro daquele ano para combater os Bondlswarts,
e fizeram um levantamento contra a ocupação estrangeira, tendo matado mais de
cem (100) alemãs recuperando as suas terras e recapiturado a seu gado.
A resposta alemã
não se fez esperar. As tropas colonias, valendo-se do avanço tecnológico do seu
armamento, conseguiram subjulgar os Hereros ao fim de algum tempo.
O povo Herero,
privado dos seus meios de sobrevivência, viu-se coagido a trabalhar para os
colonizadores, acabando muitos deles por se converterem ao cristianismo.
De qualquer modo,
os Hereros deixam um legado de luta contra a dominação colonial de consciência
cultural, histórica, racial e nacionalista, cuja tradição seriam transmitidas
as futuras gerações de combatentes pela liberdade de toda a africa meridional.
Bibliografia
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